Fabio Dezo, R2 da CF Maria do Socorro, realizou estágio em Lisboa
08:53:00
Residente do programa Fabio Dezo da CF Maria do Socorro realizou estágio em abril em Lisboa. Abaixo o depoimento do residente:
Residente:Fabio Dezo
Unidade de Saúde: Clínica da Família Maria do Socorro
Período de estágio: abril 2018
Local: Unidade de Saúde Linha de Algés - Lisboa - Portugal
Residente:Fabio Dezo
Unidade de Saúde: Clínica da Família Maria do Socorro
Período de estágio: abril 2018
Local: Unidade de Saúde Linha de Algés - Lisboa - Portugal
Entre os dias 02 e 30 de abril de 2018,
realizei as atividades do meu estágio eletivo na Unidade de Saúde Linha de
Algés, localizada no bairro de Algés, que pertence ao distrito de Oeiras,
dentro da região metropolitana de Lisboa, capital de Portugal. O bairro possui
uma área de elevadíssima renda per capita, assim como regiões povoadas por
pessoas de classe média baixa. Isso traz uma característica heterogênea à
população atendida. Apesar de não ser uma região predominantemente ocupada por
imigrantes, há muitos deles, principalmente africanos e latinos, os quais são
totalmente incorporados, sem distinção, pelo Sistema Nacional de Saúde. A
unidade é bastante recente, tendo sido inaugurada há pouco mais de 1 ano. Nesta USF,
existem 4 equipes de Saúde Familiar compostas basicamente por um(a) médico(a),
um enfermeiro(a) e um(a) secretário(a), os quais são responsáveis pelo
atendimento de demandas, vigilância e demais questões administrativas. Não há a
figura exclusiva de um gerente. Sendo assim, um dos médicos acaba assumido
determinadas funções administrativas extras, como o relacionamento com a ACES
(Agrupamentos de Centro de Saúde), que coordena várias unidades adscritas em
determinada área. O acesso ao serviço é totalmente aberto, com espaço na agenda
para atendimentos de demandas livres, mas também com pacientes de algumas
linhas de cuidado agendados. O Sistema Nacional de Saúde de Portugal não assume
os custos totais dos serviços de saúde prestados, mas utiliza a lógica de
coparticipação, em que o usuário é obrigado a pagar por parte de tudo o que
consome dentro do sistema. Entretanto, os valores, na maioria das vezes, é
irrisório, tanto para consultas quanto para exames e medicações. Fui recebido e
orientado na unidade pelo médico de família Francisco Carvalho, o qual se
formou em medicina e também realizou sua residência em Medicina Geral e
Familiar no norte do país e está na unidade desde a sua fundação. Francisco
também realizou seu estágio eletivo durante a residência na Clínica da Família
Maria do Socorro, o que facilitou bastante nas análises das duas realidades.
Junto conosco, haviam um residente do ano comum e uma interna do último ano de
medicina.
1Atividades desenvolvidas
Durante todo o período do estágio, estive
acompanhando sempre as atividades desenvolvidas pelo médico orientador.
Participei de consultas, na maioria das vezes, apenas como ouvinte, devido ao
impedimento legal de atender pacientes em Portugal. Entretanto, em alguns
momentos, o orientador permitiu que eu assumisse condutas mais ativas. Os casos
eram sempre discutidos após o atendimento, tentando traçar paralelos de
condutas distintas que por ventura pudessem ser adotadas no Brasil naquela
situação. Além disso, participei das reuniões administrativas semanais,
realizei visitas domiciliares e participei de uma reunião de pactuação da unidade
junto à ACES, onde pude observar como se dá o estabelecimento dos indicadores
da unidade.
2
Conclusão
Durante o estágio, pude perceber que a
principal limitação brasileira, e isso inclui o Rio de Janeiro, no que se
refere ao campo de atuação do médico de família é basicamente a falta de
recursos, tanto do ponto de vista de uma rede de especialistas quanto de
recursos diagnósticos e terapêuticos. Isso, sem sombra de dúvida, Portugal
conquistou de maneira exemplar. Porém, em termos de qualificação técnica
profissional, não enxergo distância entre os dois cenários. Acredito, aliás,
que a utilização de ferramentas de Medicina de Família é muito mais frequente e
consistente no meu cenário de atuação na residência. Um outro ponto bastante
divergente é o olhar bastante hostil para terapias alternativas e/ou práticas
integrativas por parte dos médicos portugueses. De qualquer forma, acredito que
foi bastante engrandecedor participar dessa realidade totalmente diferente, com
qualidades e alguns pontos ainda a serem vencidos, mesmo que durante um curto
período de tempo.
Consultório médico
Sala de espera para crianças
Sala de
atendimento de mulheres, incluindo gestantes




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